PCPR prende 11 pessoas em operação contra grupo voltado ao narcotráfico e lavagem de dinheiro no bairro Cajuru 20/08/2026 - 14:50
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu 11 pessoas durante uma operação deflagrada nas primeiras horas desta quinta-feira (20). A ofensiva visou desarticular uma organização criminosa estruturada e atuante no tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, com atuação predominante no bairro Cajuru, em Curitiba.
Ao todo, foram cumpridas oito ordens judiciais de prisão preventiva e três pessoas foram presas em flagrante. Entre elas, uma idosa, com mais de 70 anos, cujo endereço servia como ponto de armazenamento das drogas que seriam revendidas nas ruas. O líder do grupo também foi preso após localização no litoral de Santa Catarina.
Além das prisões, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços situados em Curitiba, Piraquara, São José dos Pinhais e Balneário Camboriú. Ainda, foram autorizados bloqueios de contas bancárias de até R$ 1 milhão e sequestro de veículos de luxo.
Cães de faro da PCPR foram empregados nas buscas e localizaram diversas porções de drogas e armas em vários locais. Ao todo, foram apreendidas porções de maconha, grande número de porções de crack, dinheiro em espécie, arma de fogo e diversas munições.
As investigações da PCPR tiveram como ponto de partida denúncias anônimas e requisições ministeriais apontando intenso fluxo de narcotraficância em uma região conhecida como "Rua do Meio", no bairro Cajuru. A região teria sido dominada há pelo menos nove meses pelo grupo criminoso.
As diligências de campo e o aprofundamento das interceptações revelaram uma complexa e hierarquizada rede criminosa coordenada por um indivíduo. “Mesmo gerenciando as atividades à distância a partir do litoral catarinense e de bairros nobres da capital, ele mantinha o domínio sobre o abastecimento, a logística e a movimentação financeira da distribuição de entorpecentes”, destaca o delegado da PCPR Victor Loureiro Mattar Assad.
A PCPR apurou que o grupo contava com gerentes locais de pontos de venda, incluindo indivíduos que atuavam no comando operacional mesmo sob monitoração por tornozeleira eletrônica. O comércio ocorria 24 horas por dia, especialmente em becos no bairro e era centrado em crack, cocaína e derivados de maconha. Durante a investigação, a PCPR obteve imagens do alto fluxo de usuários de drogas que circulava pelas biqueiras do grupo.
Além da venda presencial, o grupo atuava com a modalidade de venda por delivery, na qual disfarçava as entregas com pacotes de presente a fim de despistar possíveis abordagens policiais aos entregadores.
A apuração comprovou ainda a existência de um sofisticado esquema logístico e financeiro. A rede utilizava intermediários, entregadores por aplicativos em embalagens disfarçadas de presentes e residências de familiares para o armazenamento e fracionamento de drogas.
No campo da lavagem de capitais, a organização constituiu empresas de fachada em nome de terceiros e familiares para dissimular a origem ilícita dos lucros, que chegavam a dezenas de milhares de reais mensais, contando com operadores dedicados à contabilidade e à gestão de contas bancárias.
Os materiais, valores, documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação serão periciados e submetidos à análise aprofundada a fim de identificar novos elos, comparsas e bens ocultados pelo grupo criminoso.
Os presos foram encaminhados ao sistema penitenciário. A PCPR segue em investigação para capturar um dos alvos de mandado de prisão que não foi localizado e é considerado foragido.






