PCPR prende 12 pessoas e apreende quase 40 quilos de drogas em operação contra "delivery" de entorpecentes e lavagem de dinheiro 22/09/2026 - 16:06
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu 12 pessoas suspeitas por integrar uma organização criminosa estruturada e armada, voltada ao tráfico de drogas, à associação para o tráfico, ao comércio ilegal de armas de fogo e à lavagem de dinheiro. As capturas aconteceram na manhã desta terça-feira (22), em Curitiba, Colombo e Guaratuba, no Paraná, e Itapema e Itapoá, em Santa Catarina.
Foram cumpridas 12 ordens de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão domiciliar. A Justiça também determinou o bloqueio de 15 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados, até o limite de R$ 1 milhão, além de medidas assecuratórias sobre 10 veículos utilizados pelo grupo.
Nos endereços, foram apreendidos mais de R$ 37 mil em espécie, 15 quilos de maconha, 24 quilos de cocaína, além de ecstasy, capulho, haxixe e 158 porções de cogumelos desidratados e embalados para venda. Ainda, foram localizadas duas pistolas, um kit tático para adaptação de arma curta, quatro carregadores de pistola e um de fuzil, e 189 munições de variados calibres, incluindo 5,56mm, que é utilizado em fuzil.
Além dos ilícitos, foram apreendidos três veículos, 21 aparelhos celulares e diversos documentos que serão objeto de análise das investigações.
As investigações tiveram início a partir da prisão em flagrante de um integrante do grupo em novembro de 2025, no bairro Vila Izabel, em Curitiba, pela Polícia Militar do Paraná (PMPR). O homem conduzia um veículo com fundo falso contendo drogas e dinheiro. Em sua residência, no bairro Mercês, foram apreendidos 36 quilos de maconha, 72 quilos de cocaína, porções de crack, metanfetamina, óleo de THC, comprimidos de ecstasy e LSD, além de um fuzil calibre 5,56, munições de diversos calibres, 16 carregadores, balanças de precisão e cadernos com a contabilidade do tráfico.
A análise do material apreendido revelou uma organização hierarquizada que funcionava nos moldes de uma empresa, com escalas de trabalho, dias de folga e pagamento de salários fixos aos integrantes. A PCPR identificou que o líder do grupo definia diariamente, por meio de um grupo de mensagens, as rotas de entrega, os clientes, os tipos de droga e os valores a serem cobrados, além de fornecer os veículos utilizados na distribuição.
Ele contava com o apoio da esposa na gestão dos motoristas e no recebimento dos valores, de um gerente responsável pelo armazenamento das drogas, de motoristas-entregadores, de pessoas encarregadas do fracionamento e da pesagem dos entorpecentes e de uma rede de revendedores finais. As conversas também demonstraram a negociação de fuzis e pistolas e a intenção de instalar compartimentos ocultos em veículos para o transporte das drogas e armas de grosso calibre.
As investigações mostraram ainda que o grupo operava no comércio ilegal de armas a outros criminosos e vendia entorpecentes não apenas no varejo a traficantes menores, mas também no atacado, em maiores quantidades. Uma das formas utilizadas para ocultar os materiais era o uso de “casas-cofre” em regiões residenciais da cidade de Curitiba.
No campo financeiro, a apuração identificou um esquema de lavagem de dinheiro baseado em empresas de fachada, contas bancárias de familiares e de terceiros e linhas telefônicas cadastradas em nome de outras pessoas.
“Diligências de campo constataram que diversas dessas empresas não existem fisicamente e não possuem funcionários registrados. Uma delas, formalmente dedicada à revenda de veículos, recebia de forma sistemática os pagamentos via Pix decorrentes da venda de drogas, enquanto outra movimentou mais de R$ 2 milhões com o operador financeiro da organização”, detalhou o delegado da PCPR Victor Loureiro Mattar Assad.
A investigação apontou ainda a aquisição de imóvel registrado em nome de interposta pessoa, acompanhada de contrato de locação simulado para dar aparência de legalidade ao patrimônio.
Mesmo após a prisão do gerente do grupo, a organização manteve suas atividades em pleno funcionamento, o que demonstra sua capacidade de reorganização e a relevância das medidas cautelares cumpridas durante a operação.
Com a deflagração da operação, a PCPR buscou interromper a atuação criminosa e descapitalizar a organização. Os materiais, valores, documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos serão periciados e analisados, permitindo identificar novos integrantes, colaboradores e bens ocultados pelo grupo.






